O dinheiro público passa por etapas e tem nomes próprios. Aqui estão, em linguagem direta, os conceitos que aparecem no portal e por que eles importam na hora de acompanhar quem você elegeu.
Como funciona o trabalho dos parlamentares e o que os números do perfil medem.
Termo que você abriu
Legislatura
Período de quatro anos de trabalho do Congresso, que começa em fevereiro do ano seguinte à eleição.
A atual é a 57ª legislatura, de 2023 a 2027. Deputados têm mandato de uma legislatura; senadores, de duas (oito anos).
Jabuti
Trecho incluído num projeto de lei ou medida provisória que não tem nada a ver com o assunto dele.
O nome vem do ditado "jabuti não sobe em árvore: se está lá, foi enchente ou mão de gente". Quando um tema estranho aparece no meio de uma lei, alguém o colocou ali de propósito.
O jabuti costuma pegar carona numa proposta com votação rápida ou com apoio garantido, para passar sem o debate que teria sozinho. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que essa prática é inconstitucional em medidas provisórias, mas ela continua aparecendo.
Por que importa: É também o nome deste portal: a ideia é ajudar a perguntar quem colocou cada coisa onde está.
Suplente
Quem assume o lugar do titular quando ele se afasta, vira ministro ou deixa o cargo.
Cada senador é eleito com dois suplentes, que ninguém escolhe diretamente. No caso dos deputados, o suplente é o próximo mais votado do mesmo partido ou federação.
Cota parlamentar
Verba mensal que cada parlamentar recebe para despesas do mandato, como passagens, combustível, escritório e divulgação.
Na Câmara se chama CEAP; no Senado, CEAPS. O valor varia conforme o estado, porque o custo de viajar até Brasília é diferente.
O gasto é reembolsado com nota fiscal, e cada nota é pública.
Por que importa: Gastos repetidos com o mesmo fornecedor ou muito acima da média merecem uma olhada mais atenta.
Proposição
Qualquer proposta apresentada ao Congresso: projeto de lei, emenda à Constituição, requerimento, indicação...
Nem toda proposição vira lei. Muitas são pedidos de informação ou homenagens, então a quantidade sozinha não mede a qualidade do trabalho.
Projeto de lei (PL)
Proposta de lei nova ou de mudança numa lei existente. Só vira lei depois de aprovada pela Câmara e pelo Senado e sancionada.
Pode ser apresentado por deputados, senadores, comissões, pelo presidente da República, pelos tribunais superiores e até por cidadãos, com assinaturas suficientes (iniciativa popular).
Siglas antigas como PLS (do Senado) e PLC (da Câmara) são o mesmo tipo de projeto: desde 2019 as duas casas usam a sigla PL e o mesmo número.
Por que importa: A maior parte das regras que mudam a vida das pessoas passa por um projeto de lei. Acompanhar em que etapa ele está mostra quem está segurando ou acelerando o assunto.
Autor e coautor de um projeto
O autor é quem apresenta o projeto e assina primeiro. Coautores são os parlamentares que assinam junto, depois dele.
Um projeto pode ter um autor só ou dezenas de coautores. Assinar como coautor mostra apoio à ideia, mas quem escreveu e defende o texto costuma ser o autor.
Aqui contamos só projetos que viraram lei, lei complementar ou emenda à Constituição. O projeto pode ter sido muito mudado no caminho até virar lei.
Por que importa: Muitos políticos dizem que "fizeram" uma lei. Ver se foram autores, coautores ou só votaram a favor ajuda a conferir essa afirmação.
Relator
Parlamentar escolhido para estudar um projeto numa comissão ou no Plenário e dizer se ele deve ser aprovado, mudado ou rejeitado.
O parecer do relator é o que a comissão vota. Ele pode reescrever boa parte do texto com emendas ou um substitutivo, então o relator muitas vezes tem tanta influência sobre a lei final quanto o autor.
O mesmo projeto ganha um relator em cada comissão por onde passa. O Senado publica as relatorias de cada senador; a Câmara não publica essa lista por deputado, por isso ela só aparece para senadores.
Consulta popular (e-Cidadania e enquetes)
Votação aberta no site do Senado ou da Câmara em que qualquer pessoa diz se apoia um projeto. Não é pesquisa de opinião e não decide nada.
No Senado ela se chama consulta pública e fica no portal e-Cidadania: a pergunta é "Você apoia essa proposição?", com Sim ou Não. Na Câmara é a enquete do projeto, com cinco opções, de "Concordo totalmente" a "Discordo totalmente". Aqui as cinco viram três grupos: concordam, indecisos e discordam.
Vota quem quiser, uma vez por cadastro, sem sorteio de quem responde. Por isso o resultado mostra quem se mobilizou para votar, não o que a população pensa: uma campanha organizada nas redes muda o placar em poucas horas.
As Casas não publicam esses números nos dados abertos. O portal lê o placar da página pública de cada consulta, e ele pode estar algumas horas atrasado em relação ao site.
Por que importa: O placar não obriga ninguém a votar de um jeito, mas mostra para os parlamentares, e para você, quanto um assunto mobiliza as pessoas e para que lado.
Ideia legislativa
Proposta de lei escrita por qualquer pessoa no portal e-Cidadania, do Senado. Com 20 mil apoios, ela é analisada pelos senadores.
Qualquer pessoa com cadastro no e-Cidadania pode escrever uma ideia de lei, e as outras pessoas apoiam ou não. Se juntar 20 mil apoios em quatro meses, a ideia vira uma sugestão legislativa e vai para a Comissão de Direitos Humanos do Senado.
A comissão debate a sugestão e decide se ela vira um projeto de lei ou de emenda à Constituição, que passa a tramitar como qualquer outro. Um senador também pode adotar uma ideia, mesmo com menos apoios, e apresentá-la como projeto dele.
O portal mostra a ideia de origem quando o e-Cidadania registra que ela virou o projeto. O Senado não publica essa ligação nos dados abertos: ela é lida da página pública de cada ideia, uma vez por dia.
Por que importa: Mostra quais leis nasceram de pedidos de cidadãos e quem, no Senado, levou esses pedidos adiante.
Lei complementar (PLP)
Lei sobre temas que a Constituição manda regulamentar dessa forma. Precisa do voto da maioria absoluta: 257 deputados e 41 senadores.
Uma lei comum pode ser aprovada pela maioria dos presentes na sessão. A complementar exige metade mais um de todos os membros da casa, estejam presentes ou não.
Tratam de assuntos como impostos, finanças públicas e organização de carreiras do Estado.
Proposta de emenda à Constituição (PEC)
Proposta para mudar o texto da Constituição. Precisa de 3/5 dos votos em dois turnos na Câmara e dois turnos no Senado.
São necessários 308 votos de deputados e 49 de senadores, em cada um dos dois turnos de votação.
Depois de aprovada, a PEC não vai para o presidente da República: o próprio Congresso a promulga, e ela vira uma emenda constitucional.