O dinheiro público passa por etapas e tem nomes próprios. Aqui estão, em linguagem direta, os conceitos que aparecem no portal e por que eles importam na hora de acompanhar quem você elegeu.
Como funciona o trabalho dos parlamentares e o que os números do perfil medem.
Termo que você abriu
Ementa
O resumo oficial de uma proposta ou lei, em uma ou duas frases, escrito pela própria casa.
Toda proposição tem uma ementa: é o texto que aparece logo abaixo do número ("PL 1234/2025") e diz do que ela trata.
A ementa resume, mas não substitui o texto completo: os detalhes que mudam tudo costumam estar nos artigos.
Gabinete
A sala e a equipe de cada deputado ou senador, que atendem o público por email, telefone e pessoalmente.
Cada parlamentar tem um gabinete em Brasília, com assessores pagos com dinheiro público. Atender cidadãos faz parte do trabalho deles.
O email e o telefone do gabinete são publicados pela Câmara e pelo Senado. Muitos parlamentares também têm escritório no estado.
Por que importa: Escrever ou ligar para o gabinete é o jeito mais direto de pedir explicação sobre um voto, um gasto ou uma ausência.
Presença e falta
Se o parlamentar marcou presença nas sessões e reuniões em que deveria estar.
Algumas ausências são justificadas, como licença médica ou missão oficial, e não descontam salário. O portal mostra separadamente as faltas justificadas e as não justificadas.
Bancada
Grupo de parlamentares com algo em comum: o mesmo estado, o mesmo partido ou o mesmo interesse.
A bancada de um estado reúne os deputados e os três senadores eleitos por ele. Existem também bancadas temáticas, como a ruralista ou a da saúde.
Orientação de bancada
O voto que o líder de um partido, bloco ou do governo pede para a sua bancada antes de uma votação.
Antes de cada votação nominal, os líderes anunciam no plenário como a bancada deve votar: sim, não, abstenção ou obstrução. Quando o líder "libera" a bancada, cada parlamentar vota como quiser.
O líder do governo também orienta: é o pedido do Presidente da República para aquela votação.
Fidelidade ao partido e ao governo
Em quantas votações o parlamentar votou como o líder do partido (ou do governo) pediu.
O portal compara o voto com a orientação de bancada em cada votação nominal guardada. Só contam as votações em que houve orientação e em que o parlamentar votou: bancada liberada, ausência e voto do presidente da sessão ficam de fora.
Votar contra o partido não é, por si só, bom ou ruim. Mostra quando o parlamentar seguiu a própria opinião, a do estado dele ou outro interesse em vez da linha do partido.
Bloco parlamentar e federação
Grupos de partidos que atuam juntos no Congresso e recebem uma orientação só.
A federação une partidos por pelo menos quatro anos, como se fossem um só, desde a eleição. O bloco é uma aliança feita dentro da Casa e pode ser desfeita. Nos dois casos, quem orienta o voto é o líder do grupo.
Troca de partido
Quando o parlamentar sai de um partido e entra em outro durante a carreira.
Deputados podem perder o mandato se trocarem de partido sem justa causa, porque a vaga é do partido. A lei abre uma "janela" de 30 dias, cerca de sete meses antes de cada eleição, em que a troca é permitida. Senadores não perdem o mandato ao trocar.
Licença e afastamento
Período em que o parlamentar deixa de exercer o mandato, e o suplente pode assumir.
Pode ser por doença, para tratar de interesse particular ou para ocupar cargo de ministro ou secretário. Quando volta, o parlamentar retoma a vaga e o suplente sai.
Eleições e campanha
Como os parlamentares são eleitos e de onde vem o dinheiro das campanhas.
Eleito por quociente (QP) ou por média
Deputados são eleitos pelo sistema proporcional: os votos do partido definem quantas vagas ele ganha, e os mais votados dele ocupam essas vagas.
Os votos de todos os candidatos do partido ou federação são somados. "Eleito por QP" quer dizer que o candidato ficou com uma das vagas garantidas por essa soma; "eleito por média", com uma das vagas que sobraram e foram distribuídas depois.
Por isso um candidato muito votado pode ajudar a eleger outros do mesmo partido. Senadores, ao contrário, são eleitos por maioria: vence quem tem mais votos.
Fundo eleitoral
Dinheiro público dividido entre os partidos para pagar campanhas eleitorais.
Foi criado em 2017, depois que o Supremo proibiu doações de empresas. O nome oficial é Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Em 2022, somou cerca de R$ 4,9 bilhões.
Cada partido decide como repartir sua parte entre os candidatos.
Por que importa: Mostra quanto da campanha foi paga com dinheiro de impostos e quanto o partido apostou em cada candidato.
Fundo partidário
Dinheiro público repassado todo mês aos partidos para o funcionamento deles, que também pode ir para campanhas.
A divisão entre os partidos depende principalmente do número de deputados que cada um elegeu.